domingo, 25 de novembro de 2012

Os 4 pilares da Equipa d'África

“O caminho que fiz para chegar aos pilares da minha vida representa em muito a caminhada que fiz e faço na Equipa d´África. E conhecer a Equipa d´África com o outro, com os meus testemunhos, foi também conhecer os seus pilares. Mas porque conhecer é sempre diferente de sentir … Aprendi que os pilares da EA que ouvimos falar nada significam se cá dentro não os vivemos e tentamos compreender.
Tudo o que aprendi na Equipa d´África, levo comigo e tento mostrá-lo aos que vão marcando meu caminho, tento tocar. “

“Longe ou perto, os nossos testemunhos são o retrato vivo desta caminhada na Equipa d´África. Todos aqueles nos dão um pouco de si através de cada testemunho, mostram não só o que são mas também a marca que os pilares da Equipa d´África deixaram e deixam na sua caminhada. Os pilares são aquelas fundações que não vemos mas que tornam possível esta magia que se sente na EA. Com o compromisso de cada um, a Oração, o Serviço, a Entrega e a Vida em Comunidade ganham ainda mais sentido.”


Oração

“Oração? Rapidamente remetemo-nos para as atividades mais importantes dos católicos, do Homem, no seu caminho, pedindo, entregando-o, agradecendo-o a Deus, individualmente. É nos momentos de oração que refletimos sobre o caminho que estamos a seguir, e o entregamos a Deus, ou a uma força superior, ou a nós próprios (dependendo da óptica de cada um). Li uma vez o seguinte, por alguém citando o Dr. Andrew Murray “Estou convencido de que nós nunca apreciaremos por completo o grande significado da oração, enquanto a olharmos apenas como veículo para sustentar a nossa própria vida espiritual.” De facto a oração tem um cariz individual, mas cada vez mais se sente o poder, o valor que uma oração tem num grupo. A oração num grupo tem um valor indescritível…uma força que não é fácil de explicar. Para além de se rezar em conjunto, é um momento de reflexão individual, de silêncio, e de partilha das nossas reflexões com o grupo, com o qual caminhamos. E é a partir dessa partilha que sai da oração, que o grupo constrói a sua alma, a sua magia, que reúne as suas forças, e constrói o seu caminho. Assim a Oração passa a ser um pilar num seio de um grupo….e é o que acontece na Equipa d’África. Não é por acaso que a EA assenta em diversos pilares, diferentes entre si mas que se articulam, pela sua importância para a formação de um grupo, para o caminho que seguimos, não só para o que queremos fazer, mas para o que nos propomos a fazer.

A oração na EA é especial…. ao ESTARMOS em oração, construímos o grupo que queremos ser, a nossa alma, a nossa força, a nossa magia enquanto grupo. ESTAR em oração não é só estar por si só, é partilhar, é sentir a oração, nossa e de quem caminha ao nosso lado, é partilhar, é cantar…é viver a oração intensamente com alegria. Permite-nos estarmos connosco próprios, com os outros, partilharmos o nosso caminho com Deus, individual e principalmente o nosso caminho com quem está ao nosso lado. Partilhem, cantem, vivam a oração com alegria…estejam, entreguem-se e construam a magia que querem que o grupo EA tenha, com toda a força….sintam-na parte do vosso caminho enquanto grupo, porque só assim ele vale a pena! (…).”


Vida em comunidade

“(…) Ou seja, independentemente do contexto, comunidade significa pôr em comum, quer relações, quer objetivos, quer regras, quer espaço. Como fazer isto sem atenção? Impossível…

Estar atento às relações que se criam, ao que o outro necessita, ao que o outro espera de mim, ao grupo. Estar atento aos objetivos comuns, se os meus objetivos continuam a ser os mesmos do grupo. Estar atento às regras, se as respeito, se concordo, se o grupo se integra nelas e as compreende. Estar atento ao espaço, ao espaço que cada um necessita, ao espaço que me recebe, ao espaço onde estou integrado, à postura que devo ter neste ou naquele espaço. Sem estas 1001 atenções não existe comunidade e quando pensares que poderá ser uma exaustão ter atenção a isto tudo, pensa que se todos o fizerem, tu serás também alvo de retorno dessa atenção que necessitas.

E agora perguntam, e onde entra a aceitação na comunidade, depois de tanta atenção? É simples, somos pessoas e por mais que tenhamos toda a atenção do mundo vão existir certamente pontos, atitudes, ideais que não compreendemos, mas que não impedem que se viva em comunidade. É aí que entra a aceitação, mas não uma aceitação cega e surda, pois essa por mais que conscientemente a ignoremos, está presente em todas as nossas atitudes e acções e mais tarde ou mais cedo vão explodir. Trata-se de uma aceitação interessada, com respeito e admiração pela diversidade, trata-se de estar. Com interesse pelo outro e pela descoberta de ideias diferentes. É aceitar que só com diversidade aprendemos mais. Mas esta convivência nunca é fácil, a tolerância necessária tem de ser aprendida, trabalhada, pois no nosso dia-a-dia estamos habituados a seleccionar. Seleccionamos os amigos, os colegas, as músicas, os filmes, os cursos, tudo em função dos nossos gostos pessoais. No fundo, temos essa liberdade, que bom, yupi…não nos apercebemos é que essa liberdade nos pode fechar portas. Aproveitemos, então, o que os outros nos trazem, discutamos ideias e se, ainda assim, não concordamos, aprendamos a conviver em comum, valorizando os objectivos comuns que nos ligam, que nos formam uma EQUIPA. Para isso, trabalhamos um ano inteiro, porque há características que não são inatas, mas que qualquer um pode aprender, se se dispuser a isso.”


Entrega

“(…) a entrega não é mais que isso mesmo, é entregarmos algo a alguém, só se complica porque somos nós próprios que podemos dar essa “entrega”.

Entrega é um estado de disponibilidade total. É a capacidade de estarmos na íntegra no que estamos a fazer. De amarmos na totalidade. De conseguirmos receber o amor de outros porque o damos também. É um estado difícil de atingir quando estamos embutidos em toda a azáfama da sociedade atual, mas é também um desafio que muitos conseguem atingir de uma forma muito natural. É um estado do ser. Para nos entregarmos é preciso amar. É expormo-nos. E, como, humanos que somos, temos muitos medos ou mágoas passadas que podem ser um obstáculo à entrega. É estranho e difícil falar disto, pois é uma sensação muito boa sentir a entrega dos outros e a nossa, mas é simultaneamente dolorosa e conflituosa quando sentimos que por qualquer motivo essa nossa capacidade de entrega está comprometida. É uma sensação de fracasso e de “podíamos fazer mais”.

Sem entrega, a EA não era possível e, talvez, para muitos de nós a EA é um impulsionador, que desperta em nós a necessidade de conhecer mais, de estar mais. (…).”


Serviço

“Dos quatro pilares da Equipa d’África, penso que o serviço é aquele que demorei mais a perceber realmente, a integrá-lo e a vivê-lo como parte da minha vida e do meu dia-a-dia. Ainda hoje, quando penso na forma como o vivo, percebo que ainda tenho muito que crescer em relação este pilar.

Lembro-me que das primeiras vezes que me falaram de serviço até nem parecia ser difícil. Disseram-me que servir era estarmos prontos para ajudar, estarmos aos dispor das necessidades dos outros, daquilo que eles realmente precisam, e não estarmos disponíveis para ajudar apenas em tarefas que gostamos, que achamos divertidas ou quando nos apetece. No princípio, percebi logo que, fazendo parte da Equipa d’África, era dessa forma que iria ajudar, achava que fazia todo o sentido, e que portanto era isso que eu tinha de fazer. Até aqui tudo bem. Mas, à medida que fui crescendo dentro da EA, percebi que isto não é assim tão fácil… Há alturas em que não nos apetece mesmo. Há coisas que são mesmo difíceis, em que o desconforto é grande, e que a nossa vontade é pouca… Então, foram-me mostrando algumas coisas que eu achava que nem sequer eram possíveis! Através do exemplo de outras pessoas, do trabalho em grupo e da força que é servirmos enquanto EA, ensinaram-me que podemos fazer tarefas de que não gostamos, que são difíceis e que nem sequer nos achávamos capazes de fazer, se conseguirmos colocar todo o nosso amor e alegria na forma como as realizamos… Percebi que dentro da EA há uma felicidade tão grande em ajudar os outros, que já não nos importa se gostamos ou não de dar o tipo de ajuda que precisam, chegamos a um ponto em que servimos verdadeiramente, já não porque nos disseram que é isso que está certo, mas porque queremos genuinamente ajudar o outro naquilo que ele precisa, e a nossa alegria já não vem do tipo de ajuda que prestamos, mas sim da forma como o fazemos … É como se o centro deixássemos de ser nós, as nossas vontades, gostos, talentos, e passasse a ser o outro, aquele que queremos ajudar, as suas vontades e necessidades.

Hoje, já não vivo o serviço porque sei que tem que ser assim, mas porque quero e sinto cá dentro essa vontade de ajudar no que for preciso, sabendo que vou colocar o mesmo amor e alegria, e que os frutos podem ser ainda maiores. Muitas vezes defino missão como “estar ao serviço”, da forma que a EA me ensinou a vivê-lo. No meu dia-a-dia? É mais difícil… Mas por isso mesmo é que a missão não acaba nunca…”


NOTA: Textos da reunião de 20/11/12 (escritos por voluntários da Equipa d'África para o caderno de orações da peregrinação 2012)



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