terça-feira, 12 de outubro de 2010

Partilha Vale de Água

Era uma vez seis moças e um moço: a moça Zeza, considerada “Mami” pelas restantes; a moça Rute, que estava sempre pronta para tudo irradiando uma fortaleza enorme; a moça Lisa tão sorridente e disposta para os outros; a moça Su cheia de energia e de boa-disposição; a moça Inês sempre calma e serena, a moça Tita que transmitia alegria e o moço David que tinha uma grande paciência. Pois estes moços, através da Equipa D’África, aceitaram o desafio de fazer projecto no Alentejo, numa aldeia encantadora chamada Vale D’Água.


Mas este projecto não teve igual impacto para todos da mesma maneira, pois são todos diferentes e cada um sente à sua maneira. Por tanto, decidi contar o significado que este projecto teve na vida da moça Tita.

Logo no dia da viagem com destino a Vale D’Água, a moça Tita sentiu-se muito bem acolhida e recebida pelas outras moças. Foi extraordinário a ligação e união que se criou entre todas as moças durante o projecto. A Tita soube logo que podia confiar em cada uma das suas moças para o que fosse necessário.

De manhã, a moça Tita ia com uma auxiliar ao domicílio de vários idosos. Ajudava no que fosse necessário (fazer camas, mudar fraldas, varrer o chão…) mas o mais importante era fazer companhia, estar, e partilhar o seu tempo com eles. A Tita apercebeu-se, talvez não de imediato, que os idosos precisavam muito dessa companhia, dessa atenção, desse afecto, que a Tita dava com muito amor.

A Tita ouviu muitas grandes histórias de vida ao longo do projecto. Todas estas histórias ensinaram-lhe que devemos amar sem reservas, entregarmo-nos completamente ao outro, não desistirmos frente a adversidades que nos parecem à primeira vista impossíveis de enfrentar e, fundamentalmente, ensinaram-lhe que devemos ter esperança!

À tarde, a moça Tita e o resto do grupo União (foi esta a maneira que as moças e o moço designaram o seu grupo devido à forte união que sentiam entre eles), encontravam-se com as crianças de Vale D´Água num espaço grande que pertencia à associação de moradores. Nesse espaço o grupo União partilhava momentos de diversão, de reflexão e de partilha com crianças desde os 4 aos 15 anos. As crianças de Vale D’Água também foram muito importantes para a Tita. Eram crianças muito generosas que tinham muitos sonhos. O grupo União brincava com elas, fazia jogos, fazia actividades sobre vários temas (assertividade, alimentação, artes plásticas, etc.) Mas o dia que a Tita passou com as crianças e do qual gostou mais e considerou mais importante foi o chamado dia do “voluntário”.

Neste dia, o Miguel (que é o magnífico boss da Equipa D’África) fez uma apresentação à cerca do voluntariado realizado pela E.A e mostrou um vídeo à medida que ia explicando esta temática. No fim desta apresentação falaram sobre o significado do “voluntariado” e as crianças partilharam vários exemplos de voluntariado. «Que tipo de voluntariado poderiam vocês fazer aqui em Vale D’Água?» foi a pergunta que o grupo União e o Miguel fizeram às crianças. Uma delas, a mais crescidinha, respondeu «Podemos ir visitar os idosos a suas casas e fazermos-lhes companhia!». E foi mesmo isso que foi feito a seguir à apresentação. As crianças, as moças e o Miguel dividiram-se em dois grupos para irem visitar duas idosas a suas casas. O grupo da Tita foi a casa de uma senhora de 98 anos que era muito querida. A senhora falou da sua infância, do trabalho que fazia no campo, do seu marido – que estava acamado em sua casa devido a um A.V.C – dos seus filhos, dos seus sonhos de criança… Enfim partilhou a sua história de vida. E foi tão bom! Porque as crianças participaram na conversa, fizeram perguntas, e viram que elas têm muitas mais oportunidades do que aquela idosa teve quando tinha a idade delas. Foi tão importante esse dia!

 A Tita acreditou que as crianças se tinham apercebido da importância que elas podem ter na vida dos outros com um simples e grandioso gesto. E da importância de irem de vez em quando a casa dos idosos e fazerem-lhes um pouco de companhia em vez de ficarem sentados à frente das consolas. E do bem que se sentiam ao fazerem-no!

À noite, depois de jantar, as moças conversavam um bocado e depois faziam a oração da noite. Normalmente as partilhas eram longas porque um dia às vezes parecia um mês pois eram tantas as coisas que as moças faziam e viviam e queriam partilhar tudo!

Quase todas os dias o grupo União ia assistir ao espectacular e único pôr-do-sol em Vale D’Água. Sentavam-se debaixo de uma árvore muito grande (o chamado spot) e contemplavam a paisagem em silêncio ou entoando um cântico. Ir ao spot era “parar”. Era um momento de introspecção e de sintonia com Deus.

A moça Tita não poderia ter imaginado que o projecto ia ser tão espectacular e único! Foi muito gratificante para ela estar presente neste projecto, pois cresceu imenso por dentro e sentiu-se tão, mas tão cheia ao regressar a Lisboa. E claro, sentiu-se e sente-se muito unida às suas queridas e amigas moças e moço pois foi também graças a eles que cresceu e aprendeu muito!

Marta Machado

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