terça-feira, 3 de agosto de 2010

Uma partilha... Até dia 17!

Maltinha, tudo bem desde à bocadinho?

Bem tinha aqui um texto que queria ter partilhado convosco no retiro, mas como não levei o livro comigo, aproveito agora para partilhá-lo.
Acho que é importante para quem vai fazer projecto, para quem já fez será talvez uma confirmação/recordação das experiências passadas, e para quem ainda virá a fazer penso que seja um bom ensinamento para mais tarde pôr em prática.
Parece um pouco longo mas lê-se bem.


Um grande beijinho
Joana


O ACOLHIMENTO

Chegou o dia da partida e, então disse-lhes:
Aquele que te faz mais festa
No dia da tua chegada ou da tua partida
Pode não ser aquele que te acolhe melhor.

Parte sem esperares nada de ninguém,
Apenas crente na riqueza de partir.
Se conseguires partir na paz e na alegria,
Porque vais abraçar outro mundo e outra gente,
Estás a demonstrar que o teu coração é enorme
E a tua partida é verdadeira.

A tua chegada será também uma chegada verdadeira,
pois será uma bênção para quem te recebe.
Não esperes encontrar a felicidade
Se não a levas já dentro de ti.
Enquanto anseias que os outros te façam feliz
Vais destruindo nos outros a capacidade de o fazer.

Todo aquele que parte tem que ser por si só uma bênção.
A sua chegada deve despertar e unir os outros gerando neles a capacidade de acolher.

No acolhimento é tão responsável
Quem chega como quem recebe.
Se alguma vez te sentiste mal acolhido
Deves perguntar se a tua partida e chegada
Foi uma entrega de generosidade
Que enriqueceu os outros
Ou se, pelo contrário, foi uma busca
De satisfação do teu egoísmo

A riqueza da tua chegada
está na quantidade e qualidade de alegria
que conseguiu gerar nos outros.

Se a tua chegada é verdadeira
Vais sentir-te solidário com quem te recebe
E saberás sentir-te bem
De qualquer jeito que as pessoas forem.
É muito importante a tua capacidade
De simpatia e comunhão.

Quanto tu partes deves ter uma carga
De amor maior
Do que quem te recebe
E desse modo compreenderás que todo o acolhimento que os outros te fizerem
Começa em ti.

Há muitas maneiras de acolher,
Mas a única verdadeira
É aquela que dá à pessoa
A possibilidade de ser ela mesma.

É muito bonito que te recebam
Com flores e canções,
Mas aquele que foi capaz de passar
Dois meses em silêncio a teu lado
Conscientemente à espera do que querias fazer
Teve uma capacidade de acolhimento
Tão bonita ou mais que a das flores.

O acolhimento verdadeiro
É aquele que cria condições para a pessoa
Se integrar na totalidade da vida,
Dentro das suas posses.

O acolhimento é festa
E é entrega na acção.
É uma celebração da riqueza humana,
Da pessoa em si,
E celebração de um projecto.

O acolhimento é sobretudo um encontro
Em que todos têm que se abrir
À volta da riqueza da unidade.

Se vais à espera de muitas coisas
Já estás a partir em inferioridade.
E se partes em inferioridade
Nunca te sentirás acolhido.

Por isso, Cristo te diz:
Não leves bolsa, nem alforge, nem duas túnicas…
Ou seja, não esperes dos outros,
Porque a tua riqueza humana e divina
Te basta.
Acolhe para seres acolhido.

Se não aceitas a maneira como te acolhem
Não estás a acolher os outros,
E desse modo como podes exigir
Acolhimento a alguém?


Pe. Zé Luís

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