sexta-feira, 11 de julho de 2008

Partilha: "Nada nos separará"


Meus Queridos Manos (ladies & gentleman, claro ;))

Começo por citar a primeira frase que a Teresinha escreveu, mas com a qual me identifico muito: “Nem sempre é fácil dizer com palavras o que nos vai cá dentro. E nem sempre é preciso fazê-lo…”
No entanto, neste momento sinto a necessidade de partilhar convosco tudo o que sinto e tenho sentido.

Como todos já se devem ter apercebido, tenho estado ausente das actividades da Equipa desde que soube que não ia em projecto. Desde já quero agradecer à Sofia e ao Jarimba, pela maneira como me expuseram as coisas, foi sincero e humano, e agradeço-vos por isso. Depois quero deixar o meu conforto à direcção pelas decisões difíceis que tiveram de tomar, mas acredito piamente que foram as melhores e mais justas para toda a Equipa d’África.

A verdade é que não me tem sido fácil lidar com o facto de não ir em projecto, ainda para mais estou em plena época de exames. Fazer projecto de voluntariado surgiu como um sonho de vida já há alguns anos. Já por diversas vezes tentei, mas nunca me deixaram porque era menor de idade… Quando me surgiu a oportunidade de entrar numa Equipa que fazia voluntariado em Moçambique (independentemente da equipa), o meu coração deu pulos e sorriu! “A concretização do sonho”, pensei eu… e em Fevereiro entrei na Equipa d’África. Completo desconhecido, não conhecia ninguém, rumei logo ao Bairro 6 de Maio. Toda a gente conhece aquela sensação do “primeiro estranha-se, depois entranha-se!”? Pois bem, foi exactamente o que senti com essa experiência e com o contacto com os membros da Equipa. A partilha nunca me foi fácil, como já devem ter reparado, sou bastante reservado, e fiquei feliz comigo próprio ao aperceber-me que estava a partilhar ideias e sentimentos muito pessoais com pessoas que conhecia há algumas horas. “Deus escreve direito por linhas tortas”, como diz o povo, e a verdade é que só pode ter sido um sinal da união que dali ia surgir, da grande amizade e entreajuda que viria a invadir os corações de todos aqueles jovens entusiasmados a cantar para pessoas que tanto padecem mas que tanto têm para dar e ensinar!

Após o 6 de Maio, tudo se virou na minha cabeça! Moçambique não deixou de ser objectivo, não me saiu do coração… Mas num curto espaço de tempo senti-me ser invadido por uma alegria enorme e por uma quantidade de pessoas nas quais sentia que podia confiar, e… tudo fez ainda mais sentido!

Caminhamos juntos (não na peregrinação porque infelizmente não pude ir), mas fizemos este caminho juntos, e sabem o que é mais incrível? É que sinto que continuo a caminhar convosco, ainda que não vejamos as marcas uns dos outros, sentimo-las, e é isso que nos faz estar em plena união! É verdade que o facto de não ir em projecto mexeu comigo um pouco, e por isso me afastei um pouco, não por revolta, não por tristeza, mas sim porque só assim conseguiria encontrar alguma concentração para cumprir com os meus deveres académicos.

Já soube quem vai em projecto, já sabe para onde vão e… sinto-me radiante ao ver que, ficando cá, sei que todos vão fazer um grande projecto e, no seguimento do que disse, sei que todos vão levar um bocadinho de mim, e de todos os que ficam em Portugal, porque caminhamos juntos, somos juntos e TAMOS JUNTOS!

Espero muito sinceramente que todos se entreguem ao projecto, que todos abracem aquela gente como irmãos e que todos esqueçam as divergências que possam surgir, as pequenas coisas que vão ocorrendo porque… “valores mais altos se levantam”, como dizia Camões, e seria um desperdício de empenho e de tempo!

Rezarei por todos vós! Sinto-me orgulhoso de ficar ao ver quem vai, sei que farão um exímio trabalho porque CONFIO EM TODOS VÓS como IRMÃOS!

Para a direcção, o meu mais sincero obrigado, do fundo do coração, pela coragem que demonstram, pelo empenho exemplar e por toda a dedicação a esta causa, que, desde já digo, agarrei com unhas e dentes e não largarei tão depressa!

Obrigado a todos e vemo-nos em breve 

Beijos e Abraços

Diogo Ai


Deixo-vos com uma citação de S. Paulo que me parece a mim esclarecer um bocado da problemática existencialista e também do porquê da necessidade de ajudar:


“De facto, para mim viver é Cristo, e morrer seria uma vantagem. Mas se continuar a viver neste mundo é trabalho proveitoso, então nem sei o que escolher. Sinto-me pressionado por ambas as partes: por um lado, desejaria partir para estar com Cristo, o que seria incomparavelmente melhor; mas por outro lado continuar a viver seria mais útil para vós. Como tenho a certeza disso, sei que vou continuar convosco para vos ajudar a todos a progredir na alegria da fé. Assim, quando vos for visitar outra vez, o vosso orgulho de serdes cristãos será ainda maior, graças a mim.”

São Paulo

2 comentários:

catarina disse...

Quando me disseste que tinha sido um excerto de algo que tinhas escrito aqui...não resisti e vim ver...apenas fica a sensação de que em tudo o que escreveste...és simplesmente tu...:)*
catarina

Sofia disse...

A falta de comentários à tua partilha significa mesmo isso: Não há comentários possíveis, no bom sentido, que consigam dar resposta a esta partilha!

Muito obrigada Diogo!

*