sexta-feira, 27 de junho de 2008

Partilha Telhal...

A Casa de Saúde do Telhal tem para mim um valor muito especial uma vez que um familiar próximo era para ter sido internado nesta instituição. Tal não chegou a ser necessário mas a situação fez com que visitasse esta casa com algum receio relativo ao que poderia encontrar. Questionava-me se conseguiria lidar com os residentes como pessoas e não olhar demasiado às doenças que reconhecia, perguntava-me se seria capaz de responder à ajuda que me fosse pedida a nível, por exemplo, dos doentes mais dependentes. No fundo acho que não sabia se ia conseguir cumprir a minha missão e como me ia sentir enquanto o fazia…

Chegados ao Telhal visitámos algumas das diferentes alas e fomos divididos pelas mesmas, em grupos de três ou quatro pessoas para, com os residentes, vivermos um fim-de-semana diferente. Na ala em que fiquei, com mais dois voluntários da Equipa, além de ajudar nas refeições e actividades previstas pelos enfermeiros, tentámos estar com cada um dos residentes da forma que julgámos mais apropriada, com alguns conversámos, com outros cantámos, dançámos e com alguns simplesmente estivemos. No fim da tarde de sábado houve a possibilidade de ir passear com alguns dos residentes e no domingo tínhamos como missão acompanha-los à missa, função que fiquei contente em desempenhar e que gostaria de repetir mais vezes porque quanto mais voluntários estiverem disponíveis para o fazer mais residentes é possível acompanhar.

Agora, que já passei pela experiência, defino-a como muito forte e, apesar de todas as práticas mais complicadas que implicou, muito gratificante. Sinto que fomos muito bem recebidos, tanto pelos funcionários, que nos deram uma grande ajuda, como pelos residentes que, aquando da nossa saída, nos perguntaram quando voltaríamos. Este facto faz-me ver que a missão foi cumprida, que conseguimos estar e dar um bocadinho de nós a cada uma das pessoas com quem estivemos.

Lembro-me que quando, à hora da refeição, cheguei à ala onde fui colocada, congelei, sem saber para onde me havia de virar. Aos poucos fui vendo como tudo funcionava e, sempre que não sabia o que fazer, era nos manos da Equipa d’África que ia buscar um exemplo. Vi um pedacinho de Deus em cada um deles e nas restantes pessoas que me rodeavam e foi isso que me fez ter força para continuar e chegar ao fim a sentir-me em casa.

Reparo agora que, quando cheguei, a minha intenção era dar-me a quem de mim precisasse mas entretanto sinto que mais foi o que recebi. Trago da Casa de Saúde do Telhal uma das melhores sensações que poderia imaginar sentir, que não só consegui ultrapassar os meus receios e corresponder ao que me era pedido como que, daqui para a frente, tenho a certeza da capacidade de me continuar a dar. Estive entre pessoas extraordinárias que me marcaram de uma maneira muito especial e gostava de ter a possibilidade, tempo e disponibilidade de continuar a vir a esta Casa que tão bem nos acolheu.
Marta Barros

4 comentários:

Anónimo disse...

uau marta. muito gosto tive em ler-te assim.
tamos juntos
até maputo!
filipe mendonça

Ana Rita disse...

ha palavras que abrem a porta do coração. claramente esta partilha é isso mesmo. uma forma de chegar ao teu coração martinha.
és gigante.

Rita disse...

ES A MAIOR!! um grande bj my love!

Sofia Nobre disse...

Sem dúvida das melhores experiências que já tive em toda a minha vida, não é preciso ir para Moçambique para levar "chapadas de luva calçada" que enriquecem o nosso ser e abrem o nosso coração! Não sei se abriu se encheu pois ao mesmo tempo que o senti leve senti-o pesado. Obrigada por o agitarem seja de que maneira for..
Obrigada Marta pela partilha..

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